De Sérgio O. Sá a 14 de Fevereiro de 2009 às 21:34
Para o Márius, pois como ele me sinto alentejano, embora seja duriense, e para todos os alentejanos, este poema produzido em 2002, em Monsaraz.
DEPOIS DO CREPÚSCULO
Fim de terde.
O Sol acaba de se esconder
para lá do horizonte,
deixando atrás de si
um rasto luminoso
que avermelha o céu.
A estrela do pastor já quer luzir
anunciando a hora da recolha.
E mais perto ou mais distante
a paisagem é riscada
pela sonoridade doce
de mil chocalhos que se apressam
porque o crepúsculo se definha
a cada instante.
Repete-se o ritual
que faz esquecer o tempo
que perde a conta dos dias,
mas lembra a hora em que o sino,
no campanário da igreja
das aldeias que a têm,
tocava as ave-marias.
Entretanto a noite cai
para envolver de espessa sombra
todo este meu redor
e transformar a natureza
em vultos indefinidos e mudos
que se escapam quando rasgo as pupilas para os ver.
Só o mormúrio do silêncio me faz companhia.
E enquanto o luar não chega,
nem o mocho pia.
E meu pensamento?
Quem o guia,
se nem há vento?
E para onde o levar
se ele quer aqui ficar?

In. ONDE APANHEI ESTES VERSOS
- Poemas no Alentejo -


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.